
Ele fez de novo! Aos 25 anos, o carioca Lucas Verthein Ferreira escreveu seu nome em mais uma página na história do remo brasileiro. Único medalhista do país em um Campeonato Mundial Júnior, com o bronze em 2016, ele se tornou nesta quarta-feira (25) o primeiro remador nacional a conquistar o ouro em uma prova individual nos Jogos Pan-Americanos, competição disputada desde 1951.
A inédita vitória de Lucas na final do Single Skiff Masculino em Santiago, no Chile, encerrou um jejum de 36 anos sem Brasil no alto do pódio do remo pan-americano – desde o bicampeonato dos irmãos Ronaldo e Ricardo de Carvallho em 1983, em Caracas (VEN), e 1987, em Indianápolis (EUA). Nesse período, o país ganhou 11 medalhas de prata, incluindo duas de Fabiana Beltrame no Single Skiff Peso Leve Feminino, em 2011 e 2015, e nove bronzes.
– Esse resultado representa tudo. Representa um marco na história do nosso remo brasileiro, o início de uma nova história. Agradecer por estar vivendo esse momento, por todo mundo que esteve envolvido nessa vitória. Não tem como enumerar, descrever quantas pessoas foram. Todo mundo que pode estar junto com a gente, acreditando nesse ouro. É histórico, é pro Brasil e é tudo – disse Lucas após a vitória.
Atleta do Botafogo, Lucas largou na frente, chegou a ser superado pelo americano James Plihal e acelerou a remada no final para completar os 2.000 metros da prova em 6m58s76, à frente de Plihal (6m59s93) e do mexicano Jaun Rodriguez (7m01s27). Foi o segundo pódio pan-americano do brasileiro, que em 2019 ganhou bronze com Uncas Tales no Double Skiff, em Lima.
– É um dia que ficará para sempre na minha memória. Estava muito concentrado porque queria mesmo fazer a melhor prova da minha vida. Valia muito para mim, era um sonho, um objetivo, mas também era um resultado muito importante para o remo do Brasil, que não conquistava um ouro desde 1987. Essa conquista é um pedaço da minha própria história. Como tracei, precisava ser constante, sabia da qualidade dos meus adversários. O Plihal já tinha mostrado sua força quando estivemos aqui no Pré-Pan. Quando finalmente cruzei em primeiro, foi só explodir de alegria. Agora eu quero mais, quero Paris, quero a medalha olímpica, e estará todo mundo trabalhando muito, assim como eu – afirmou.

Lucas já tem seu nome gravado também na história do remo olímpico brasileiro. Em 2021, nos Jogos de Tóquio, ele chegou às semifinais e repetiu o 12º lugar na classificação geral do Single Skiff Masculino de Paulo Cesar Dvorakowski em Moscou-1980, mas superando um caminho bem mais longo e com mais competidores: 32 contra 14.
O ouro de Lucas não foi o único pódio do remo brasileiro em Santiago. No Single Skiff Feminino, Beatriz Cardoso, de 28 anos, também do Botafogo, conquistou a prata ao superar a paraguaia Nicole Gonzelez nos metros finais, terminando a prova em 7m46s73, 2s10 atrás da mexicana Kenia Lechuga.
– Acho que errei na estratégia de início, saí muito comedida e a paraguaia e a mexicana fizeram início mais forte. Mas eu estou feliz, quando estava na medalha de bronze falei ‘bronze não!’. Dei tudo que tinha no final e consegui chegar na medalha de prata. Representa muito esforço, são anos de dedicação, abdicação, tranquei faculdade para poder só treinar. Ainda tem muito trabalho pela frente – afirmou Beatriz, que assim como Lucas também fez história no Mundial Júnior, com o inédito quinto lugar no Single Skiff Feminino conquistado em 2013.
Ao todo o Brasil teve 12 barcos dentre as 15 provas do remo em Santiago, ficando em 4º lugar no Double Skiff Peso Leve Masculino, no Four e no Dois Sem Femininos; em 5º no Double Skiff Masculino, no Quatro Sem e Oito Com Femininos e no Oito Com Misto; em 6º no Dois Sem Masculino e Double Skiff Feminino; e em 7º Double Skiff Peso Leve Feminino. O país terminou em 7º na classificação geral da modalidade, liderada pelos Estados Unidos, com 10 medalhas, sendo 5 de ouro e 4 de prata.
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