Vento, barco virado, zebras e queixas marcam 1º dia

Dois Sem da Sérvia virou durante a prova (Foto: Vicente Leal/Remo em Voga)

Dois Sem da Sérvia virou durante a prova
(Foto: Vicente Leal/Remo em Voga)

“Ainda bem que eu não estava na água.” O comentário de Fabiana Beltrame na tribuna de imprensa dá a dimensão de como foi difícil remar na Lagoa no primeiro dia de competição nos Jogos Olímpicos do Rio. O vento Noroeste que atingiu a metade final da raia logo após o início das provas provocou a virada do Dois Sem da Sérvia, gerou resultados inesperados e causou apreensão e descontentamento entre os atletas.

“Estive muito perto de afundar, o que geralmente seria uma indicação de que a raia não estava remável”, reclamou a australiana Km Brennan (ex-Crow), atual campeã mundial no Single Skiff Feminino. Ela foi superada por Kenia Alanis, do México, e Micheen Thornycroft, do Zimbábue, na primeira bateria da prova, mas não culpou apenas o vento pelo resultado. “Nós cometemos o erro de escolher o barco para águas calmas. Mudou muito rápido, eu fiquei com o barco cheio d’água”, explicou.

O dia começou dentro do esperado para os homens. O cubano Angel Founier ganhou a primeira bateria do Single Skiff, com o mexicano Juan Cabrera em segundo. O neozelandês Mahe Drysdale, atual campeão Olímpico, também venceu, assim como o britânico Alan Campbell e o tcheco Ondrej Synek. As surpresas começaram na última bateria do Single Skiff Masculino, com o norueguês Jakob Hoff superando o favorito Martin Damir, da Croácia.

O momento crítico foi a virada de Milos Vasic e Nenad Bedik, no quarto final da última bateria do Dois Sem Masculino. “Está difícil. É como subir uma escada e quando você está no meio do caminho o degrau parece três vezes mais alto”, descreveu o neozelandês Hamish Bond, que viu os sérvios virarem logo atrás do seu barco, a caminho de conquistar a 67ª vitória internacional consecutiva com Eric Murray.

As condições da raia causaram atraso no programa e foram o assunto no pátio dos barcos. “Você quer remar com as pessoas no seu melhor. Conversei com muita gente e eles estão tão desapontados quanto eu”, afirmou a neozelandesa Emma Twigg, campeã Mundial no Single Skiff Feminino em 2014. “A que ponto isso é para os atletas? Essa é uma questão para a FISA e sem dúvida os chefes de equipe a estarão fazendo esta noite”, completou.

Fabiana Beltrame, que conquistou a vaga para competir nessa prova mas ficou fora devido à nova regra de classificação da FISA, entende o sentimento das atletas. “Você passa quatro anos treinando e na hora não consegue fazer o seu melhor por causa da raia. É frustrante”, disse ela, que está comentando as provas para o Sportv, após disputar as três últimas Olimpíadas. “No início fiquei triste, mas depois vi a oportunidade de viver uma experiência diferente, já que nunca pude assistir aos meus ídolos nos Jogos Olímpicos.”

Também comentarista do mesmo canal, Ronaldo Carvalho diz que o fato de conhecer a raia não será uma vantagem para os barcos brasileiros, que estreiam este domingo. “Esse vento é ruim para todo mundo. Não é como nos Jogos de Londres, onde o vento favoreceu quem estava na raia 1 e prejudicou a 6. Aqui é igual para todos”.

Além de forte, a ponto de deixar a raia com “carneirinhos” (quando a marola faz espuma), o vento mudou de direção durante a manhã, passando de Noroeste a Norte e depois Leste. O calor também castigou os remadores, com a temperatura indo de 26ºC, às 9h, a 33ºC, ao meio-dia. O público também sofreu fora d’água, com filas nas lanchonetes e nos banheiros.

Apesar das queixas dos atletas, o presidente da FISA, Jean-Christophe Rolland, descartou mudanças na programação. “Nós olhamos três fatores importantes: segurança, equidade e ‘remabilidade’. Hoje, determinamos que os atletas não estavam em perigo na raia, as condições foram consideradas as mesmas nas seis raias, e era remável, significando que os barcos não estavam afundando. A previsão não é de que o tempo melhore nos próximos quatro dias e nós continuaremos a usar esses três fatores para determinar como a competição irá seguir. Por enquanto não há mudança no programa. Essas condições vão testar a habilidade dos atletas”, afirmou ao site da entidade.

O campeão Drysdale, discordou da avaliação. “Meu argumento é que durante os treinos em condições similares a Lagoa foi fechada duas vezes. Se é perigoso para treinar, é perigoso para competir?”, questionou, via Facebook. “Vou remar em qualquer condição que me disserem, não vou desfrutar em algumas delas, mas é um esporte ao ar livre. Sim, condições difíceis exigem habilidade, mas há um ponto quando a sorte conta mais que a habilidade e hoje, em alguns momentos, foi o caso”, escreveu, acrescentando: “Eu certamente não gostaria de ver medalhas Olímpicas sendo decididas nessas condições”.

Resultados de sábado
Lista de partida de domingo

Leia também:
Brasileiros têm missão difícil na estreia do remo em casa Campeões Olímpicos estreiam este sábado na Lagoa
Latino-americanos remam contra jejum de pódio nos Jogos Alemães dominam histórico de medalhas no remo Olímpico 

Memória
Total de medalhas por país no remo em Jogos Olímpicos

Todas as participações do remo brasileiro em Olimpíadas

 

© Remo em Voga ®
Anúncios

Sobre remoemvoga

Notícias e vídeos sobre o remo brasileiro e competições internacionais
Esse post foi publicado em Remo Olímpico e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s