Remo naufraga na política às vésperas da Olimpíada em casa

Dirigentes cariocas: unidos contra a CBR (Foto: Remo em Voga)

Dirigentes cariocas: unidos contra a CBR
(Foto: Remo em Voga)

O leme quebrou, o casco está furado e não há coletes salva-vidas à vista. A falta de rumo do remo brasileiro, evidenciada pelo conflito entre a CBR e os clubes do Rio de Janeiro em torno da mudança de data e local do Campeonato Brasileiro, parece conduzir o esporte centenário a um naufrágio coletivo, às vésperas da Olimpíada no país. “É uma coisa crônica, uma morte anunciada”, lamenta o ex-remador olímpico Marcelus Marcili, que pediu exoneração do cargo de vice-presidente da CBR antes de a confusão estourar.

Reunidos esta terça-feira na sede do rubro-negro, dirigentes de Flamengo, Vasco, Botafogo, Piraquê e Federação de Remo do Estado do Rio, reiteraram a decisão de não disputar a competição em Brasília, por falta de previsão orçamentária para levar cerca de 150 remadores e dezenas de barcos numa viagem de 1.100 km até o Planalto Central. Em entrevista coletiva com mais atletas do que jornalistas na plateia, eles apresentaram os motivos econômicos e logísticos que inviabilizam a participação (assista às declarações abaixo), e anunciaram a intenção de recorrer à Justiça Desportiva e Comum para que a competição volte para o Rio.

A Confederação alega que a mudança foi motivada pelas obras nas garagens para a Olimpíada, que impediriam a entidade de receber as equipes de outros estados. Mas além de tirar a segunda etapa do Campeonato Brasileiro da cidade – onde foi realizada a primeira etapa, em março, apenas com barcos curtos –, o presidente da CBR, Edson Altino, remarcou a competição para o mesmo dia da final do Campeonato Estadual do Rio (1 de novembro), o que levou a Federação local a denunciar a troca como retaliação às críticas à atual gestão, acentuadas após o desempenho da equipe brasileira no Pan-Americano de Toronto, em julho.

“Todo mundo sabe que é uma questão política, a força de interesses”, reconhece Marcelus, responsável pela elaboração do calendário trienal que previa a competição no Rio. Ele diz que se afastou devido à dificuldade de conciliar compromissos particulares com as atividades na entidade. “Não consegui fazer o eu que achava que era preciso”, avalia, ainda acreditando em uma solução para o impasse. “É uma questão de diálogo. Se um cede um pouco, o outro também, tenho certeza de que teríamos uma solução”, afirma.

Porta-voz informal dos remadores na reunião desta terça-feira, o brasiliense Célio Amorim, atleta do Botafogo com passagens na Seleção Brasileira, não perde a esperança de competir o Brasileiro. “Eu ainda estou otimista de que as coisas andem a favor do esporte. Todos nós atletas dedicamos a nossa vida pra isso e de repente a gente se flagra numa situação de impossibilidade de participar do principal evento do país”, afirmou.

Além do título de campeão brasileiro, a participação na competição nacional dá aos três primeiros colocados o direito de pleitear Bolsa Atleta, uma ajuda de R$ 11 mil por ano para o remador continuar ativo na temporada seguinte. Como este ano o campeonato foi dividido em duas etapas, os que não competiram em março temem perder o benefício ou a oportunidade de ganhá-lo, o que levou o presidente da CBR a aceitar a inscrição nominal avulsa dos atletas, mesmo após o encerramento do prazo previsto no boletim oficial.

Com isso, a lista provisória de barcos divulgada esta terça-feira pela Confederação inclui 18 guarnições identificadas como “Rio de Janeiro”. A opção, tida como salvaguarda pelos remadores e aceita pelo Vasco – representado no encontro na Gávea pelo vice-presidente de remo Antonio Lopes – não é unânime entre os clubes. “Ou o Botafogo faz inscrição para ir com todos os seus atletas, ou não faz”, afirmou o diretor de remo alvinegro, Marcelo Murad, apoiado pelo diretor executivo de esportes olímpicos do Flamengo, Marcelo Vido.

Líder e vice no Campeonato Estadual, os dois clubes dividiram um ônibus do ano passado para participar do Brasileiro em São Paulo, e voltaram com 12 medalhas de ouro (oito alvinegras e quatro rubro-negras) em 20 provas disputadas. Ao todo, os clubes do Rio (incluindo Vasco, Loureiro, Guanabara e Federação) ganharam 70% das medalhas de ouro na Raia da USP, 60% das de prata e 40% das de bronze, correspondentes a 57% de todas as medalhas (e Bolsa Atleta) em disputa. Uma ausência que os adversários não vão lamentar.

Lista provisória de inscrições no Campeonato Brasileiro

Assista às declarações sobre o Campeonato Brasileiro:
ico-camera3 Marcelo Murad, diretor de remo do Botafogo
ico-camera3 Antônio Lopes, vice-presidente de remo do Vasco
ico-camera3 Marcelo Vido, diretor executivo de esportes olímpicos do Flamengo
ico-camera3 Célio Amorim, remador do Botafogo
ico-camera3 Marcelo Neves, técnico do Vasco
ico-camera3 Alexandre Xoxô, técnico do Botafogo

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Uma resposta para Remo naufraga na política às vésperas da Olimpíada em casa

  1. Luiz José da Silva Barros disse:

    Companheiros;

    O problema não está na presidência da CBR, e sim no COB, que deve Chantagear a CBR, com a retirada do valor cedido todo ano. Não é possível que os últimos 3 presidentes tenham agido da mesma forma. Tem de haver um ponto em comum. Rodney Ex presidente eterno agiu desta forma durante muito tempo. O outro, que elegemos com muita luta, após assumir, transformou-se e agiu da mesma forma que o Rodney, Após assumir.foi uma decepção. O pai do Edson Altino, vice do homem das selvas, dono da xita, em inúmeras reuniões, após pedir demissão, assumiu ser candidato, e estava com o objetivo de lutar por nosso ideal, mas infelizmente faleceu. O Toco, seu filho, candidatou-se no lugar do pai, assumindo todos os compromissos com o esporte, mas agora esta outra decepção, como os outros . Penso que a comunidade do remo, quer mais não quer muito, pois os atletas, em sua grande maioria, se negam a participar de manifestações. Principalmente aqueles que tem acesso aos coroados do COB. O apoio de varias entidade em prol do esporte sempre estão presente nas manifestações, e a nossa comunidade se acovarda. O legado do remo, vai ser a perda do Estadio definitivamente, e provavelmente a raia da lagoa.

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