Impasse ameaça presença de remadores do Rio no Brasileiro

Para CBR, obras nas garagens motivaram mudança (Foto: Remo em Voga)

Para CBR, obras nas garagens motivaram mudança
(Foto: Remo em Voga)

Cada um por si e o relógio contra todos. Essa é a situação do remo às vésperas do Campeonato Brasileiro, a menos de um ano dos Jogos Olímpicos no país. Marcado originalmente de 1 a 4 de outubro na raia olímpica da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, a principal competição nacional da modalidade teve data e local alterados pela CBR no último dia 28, passando a disputa para o Lago Paranoá, em Brasília, de 28 de outubro a 1 de novembro.

A decisão pegou de surpresa a Federação do Rio, não apenas por alterar a programação dos clubes – que não se programaram para viajar e agendaram a vinda de estrangeiros para competir –, mas principalmente porque a nova data coincide com a da última regata do Estadual. Em assembleia no dia 3, os clubes cariocas decidiram manter a regata, criando um impasse em torno da participação de seus remadores, já que a competição nacional dá direito a pleitear ou manter o benefício da Bolsa Atleta – de R$ 11 mil por ano para os três primeiros de cada prova.

“Foi uma decisão unilateral da CBR com fins de retaliação e afronta a esta federação por críticas a sua gestão, o que não se pode aceitar, já que desprezou toda a programação dos clubes cariocas e impossibilitou que seus atletas possam brigar pelo título nacional e uma bolsa atleta”, escreveu o presidente Paulo Carvalho em comunicado publicado na página da Federação no Facebook.

A FRERJ contestou o argumento da CBR de que a mudança do local se deve às obras para os Jogos Olímpicos e à falta de apoio governamental e enviou oficio solicitando a revisão da decisão.  Na última terça-feira, em novo comunicado na página da Federação, Paulo Carvalho informou ter recebido resposta da CBR mantendo a nova data e local, e o prazo para inscrição dos barcos até domingo – quando será disputada a 2ª Regata do Estadual.

Espremidos no impasse político, os remadores de clubes do Rio formaram uma comissão e se reuniram segunda-feira com o presidente da CBR, Edson Altino, no aeporto do Galeão, durante conexão do dirigente para Florianópolis ao retornar da Bélgica, onde remou na Regata Mundial Máster no fim de semana passado. Eles pediram o adiamento do Campeonato Brasileiro por uma semana, para que possam participar das duas competições.

Segundo Edson, a CBR teria “muita dificuldade em viabilizar a participação de clubes de fora do Rio na Lagoa”, já que entregou esta semana as instalações que ocupa no Estádio de Remo para reforma, visando aos Jogos de 2016. As boias utilizadas na marcação das raias durante o Mundial Júnior, em agosto, também já foram retiradas.

O presidente da CBR não descartou a possibilidade de mudança da data, caso os clubes do Rio se comprometam a participar, mas afirmou que a cada dia a troca fica mais difícil, pois, segundo ele, alguns clubes e federações já teriam comprado passagens para Brasília. “É mais fácil o Rio mudar o dia da regata”, alega o dirigente. Uma nova reunião da FRERJ, quinta-feira, manteve a data da última regata. Nesta sexta, Fabiana Beltrame, principal remadora do país, publicou em sua página no Facebook um apelo dos atletas, que têm se reunido em busca de uma solução:

“No momento, estão tirando o direito dos atletas do Rio de Janeiro, de competirem o Campeonato Brasileiro, por que uma mudança repentina de sua data, coincidiu com uma etapa do Campeonato Estadual e ninguém quer dar o braço a torcer e mudar a data. E atletas ficam no meio desse fogo cruzado, tentando de todas as formas, lutar para fazer aquilo para o que treinam o ano inteiro, que é competir no principal campeonato do ano. Nós estamos unidos, não para brigar, mas pra achar uma maneira pra que isso aconteça. Afinal de contas, estas instituições só existem, por que existem os atletas”, escreveu Fabiana, compartilhando foto de atletas de todos os clubes reunidos.

Caso o impasse persista, a CBR garante aos atletas o direito de se inscreverem individualmente. A “solução”, porém, abre outro problema: a competição é para guarnições com no mínimo dois remadores – já que o Brasileiro de Barcos Curtos (Single Skiff e Dois Sem) foi realizado no Rio de Janeiro, em março –, e o boletim que regulamentou a mudança diz que cabe aos clubes inscrever os barcos, e não aos atletas. Além disso, a CBR teria de emprestar barcos para todos os “avulsos”, o que pode ser um complicador, já que o próprio boletim prevê que “os clubes serão atendidos conforme a prioridade”.

Para o técnico Marcos Amorim, do Flamengo, a situação é preocupante. “É preciso achar uma solução. Eu sou contra não participarmos. Isso já aconteceu uma vez e não foi bom pra ninguém”, avalia Marcão, lembrando o campeonato de 2012, quando os clubes do Rio não competiram. “É a competição mais importante que temos no Brasil, não é possível que isso ocorra novamente”, afirma, confiante em uma solução paras o impasse.

Ano passado, em São Paulo, os “cariocas” (muitos atletas que treinam no Rio são de outros estados) representaram quase metade dos 193 remadores inscritos no Brasileiro e ganharam 70% das medalhas de ouro, 60% das de prata e 40% entre as de bronze, faturando 57% de todas as medalhas nas provas de Sênior – contra 76% do ano anterior, quando a competição foi disputada no Rio.

A segunda etapa do Brasileiro deste ano prevê 24 provas (sendo oito femininas e duas paralímpicas) em Double Skiff, Four Skiff, Quatro Sem e Oito Com, nas categorias Júnior, Sub-23, Sub-23 Peso-Leve e Aberta. Diante da possibilidade de inscrição de barcos com atletas de clubes e federações diferentes, o Congresso Técnico marcado para a véspera da competição é que vai decidir se haverá um clube campeão (o Botafogo é o atual bi) ou se os títulos serão apenas para os barcos.

Com intensa troca de mensagens em grupos no Facebook e no WhatsApp, os remadores do Rio e dos outros estados acompanham o impasse com visões nem sempre comuns. Enquanto os “cariocas” temem ser prejudicados pela ausência, os demais vislumbram a possibilidade do pódio que garante a Bolsa Atleta.

Vice-campeões ano passado, os gaúchos do Grêmio Náutico União garantem presença onde quer que seja. “Gostaria que todos participassem”, afirma Vinicios Delazeri, um dos representantes do Brasil no Mundial Sub-23, em julho. “Pra nós aqui no Sul fica indiferente, pois não afeta nossa preparação e vamos firme contra quem quiser colocar do lado.”

Tomara que a raia esteja cheia.

(atualizado e ampliado em 18/09/2015)

Leia também:
Boletim da CBR sobre a mudança de data e local do Campeonato Brasileiro

 

© Remo em Voga ®
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