Campeão Olímpico critica regra que exclui barcos da Rio 2016

picto_remo_pDe boas intenções, o inferno está cheio. A nova regra da Federação Internacional de Remo (FISA) para aumentar o número de países nos Jogos Olímpicos, em nome da universalização do esporte, levou à redução da presença de barcos de Brasil, Bélgica, México, Chile e Cuba na Rio 2016, e pode dar à Dinamarca mais duas vagas além das quatro conquistadas na água. A decisão de limitar a classificação de cada país a um barco por gênero nas regatas de qualificação continental, que excluiu os brasileiros Fabiana Beltrame e Steve Hiestand das provas do Single Skiff Feminino e Masculino, respectivamente, gerou críticas do atual campeão Olímpico, o neozelandês Mahe Drysdale, por obrigar a Bélgica a abrir mão de um de seus dois barcos vencedores na Regata Europeia, encerrada semana passada.

“Queremos os melhores barcos no Rio e ter uma das melhores guarnições sentada em casa porque efetivamente vocês estão tomando uma das duas vagas da Bélgica, que eles legitimamente ganharam, para dar à Dinamarca (levando seu total a seis) não é correto e não faz sentido, não importa o que as regras dizem”, escreveu Drysdale em mensagem à FISA no Facebook. “Esta é uma regra estúpida neste caso e algum bom senso é necessário para mudá-la antes do próximo ciclo Olímpico”, completou o campeão, defendendo que a Comissão Tripartite dê um convite para os belgas.

O problema é que a Comissão, composta por Comitês Olímpicos Nacionais, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a FISA, já anunciou os beneficiários dos convites, deixando de fora também Fabiana Beltrame. Ela ficou em segundo na Qualificação das Américas, e a CBR optou por indicar o Double Skiff Peso-Leve Feminino, que venceu sua prova. O mesmo ocorreu com Steve Hiestand, classificado em terceiro, mas que também viu a vaga ir para o Double Skiff PL Masculino, com Xavier Vela e William Giaretton, ouro no Pré-Olímpico e no Sul-Americano.

A situação dos brasileiros é ainda mais injusta, já que o país teria direito a um representante nas provas de Fabiana e Steve, caso não tivesse classificado nenhum outro barco nos respectivos gêneros, o que ocorreu por mérito das guarnições. A vaga do anfitrião no Masculino foi dada ao Paraguai (9º no Pré-Olímpico), enquanto Líbia e Vanuatu receberam os dois convites restantes.

No Feminino, o cenário consegue ser pior: a vaga destinada ao país sede foi para Bahamas (10º no Pré-Olímpico) , um dos convites foi dado ao africano Togo e o outro acabou destinado ao quarto lugar na Regata Continental Europeia, conquistado pela Dinamarca. Os dinamarqueses já têm outros quatro barcos classificados, sendo três femininos, e ainda devem herdar uma das vagas masculinas dos belgas, já que ficaram na primeira posição fora da zona de classificação no Single Skiff e no Double Skiff Peso-Leve.

É verdade que a regra ampliou o número de países nos Jogos, dos 58 em Londres para 70 no Rio. Mas não impediu a concentração, com os britânicos (que ganharam nove medalhas em casa) classificados em 12 das 14 provas na Lagoa Rodrigo de Freitas, em agosto – incluindo todas as masculinas. Os Estados Unidos terão barco em 11 provas, presentes nas seis femininas. Alemanha e Nova Zelândia estarão em dez disputas cada, e os holandeses em oito, uma a mais que Canadá, China, França e Polônia. Itália e Rússia classificaram seis barcos, mesmo número da Dinamarca, beneficiada pelos critérios da FISA que deixaram a Bélgica com apenas um representante.

A nova regra possibilitou a participação de barcos de Argentina, Paraguai e Peru (7º, 8º e 9º no Pré-Olímpico) no Single Skiff Feminino, nas vagas de Brasil (2º), Chile (4º) e Cuba (6º), que se classificaram nas duas provas do gênero e escolheram competir no Double Skiff PL. No Masculino, o Chile (4º) foi beneficiado no Double Skiff PL pela decisão do México de optar por Juan Carlos Perez, ouro no Single Skiff – no qual o chileno Oscar Ochoa acabou preterido após também ficar em quarto no Pré-Olímpico, que classificava os seis primeiros na prova. Com isso, Venezuela (7º) e Equador (8º) herdaram as vagas e terão um barco cada no Rio.

Ao todo, 550 remadores vão competir na Lagoa entre os dias 6 e 13 de agosto, sendo 331 homens e 219 mulheres, em 121 barcos masculinos e 94 femininos. A lista final de classificados ainda será divulgada pela FISA, após a confirmação de todas as entidades nacionais. Até lá, belgas e brasileiros ainda alimentam parcas esperanças de aumentar sua participação.

Rio Olympic Qualification – Tripartite positions explained (FISA)
Boletim FISA sobre o Sistema de Qualificação para os Jogos Olímpicos (em inglês)

Memória:
Participações do remo brasileiro em Jogos Olímpicos

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